Recomendo que vocês assistam o filme brasileiro "INDÍGENAS DIGITAIS" (1970), dirigido por Sebastián Gerlic, e apoiado por THYDÊWÁ E CARDIM PROJETOS. Onde o objetivo maior é fazer com que toda comunidade, tenha o conhecimento da realidade de cada povo indigena e sempre concientizando dentro da essência do fortalecimento da luta e da cultura indigena. Também mostrar a importância do uso de novas tecnologias nas aldeias, já que viver isolado do vivendo na mata da caça e da pesca não condiz com a realidade de todos os povos, dentro da intelectualidade diferenciada de cada povo, cada um relatando a sua experiência de vida. Essa ferramenta é essencial para todos os indios utilizarem para fazer seus modos de ser e poder mostrar para o mundo
PhilippeAraujo
terça-feira, 13 de julho de 2010
Incentivo a cultura indígena!
Recomendo que vocês assistam o filme brasileiro "INDÍGENAS DIGITAIS" (1970), dirigido por Sebastián Gerlic, e apoiado por THYDÊWÁ E CARDIM PROJETOS. Onde o objetivo maior é fazer com que toda comunidade, tenha o conhecimento da realidade de cada povo indigena e sempre concientizando dentro da essência do fortalecimento da luta e da cultura indigena. Também mostrar a importância do uso de novas tecnologias nas aldeias, já que viver isolado do vivendo na mata da caça e da pesca não condiz com a realidade de todos os povos, dentro da intelectualidade diferenciada de cada povo, cada um relatando a sua experiência de vida. Essa ferramenta é essencial para todos os indios utilizarem para fazer seus modos de ser e poder mostrar para o mundo
Modos de ser e fazer Xocó!
Irei destacar para vocês duas visões sobre a alimentação dos Xocós, uma quando existia a presença do fazendeiro, e outra sem eles.
Quando eles moravam na caiçara, o que plantavam era tudo dividido com o fazendeiro. Alguns tomavam dinheiro emprestado da colheita dor arroz. Quando chegava a época da colheita, quem não devia ao fazendeiro recebia a metade de tudo o que era produzido. Por exemplo: se colhesse dois alqueires de arroz, um era para o índio que plantou e o outro para o fazendeiro. Porém os índios que deviam dinheiro para o fazendeiro, perdiam todo o arroz, pois ele levava tudo para a sua fazenda.
Quanto a pesca na lagoa, também tinha que ser dividida com o fazendeiro. Pescavam e os maiores e melhores peixes eram sempre para eles. Era dividido em 3 partes, o fazendeiro ficava com 2 partes e os índios com 1. Para os Xocós, restavam apenas os peixes ruins e menores.
A comunidade vivia como criado para os Britos, e os netos de João Porfirio. A aldeia plantava arroz, milho, feijão, algodão, e tudo era dividido. As vezes os Britos traziam farinha e milho podres, bichados, para eles comerem. Os fazendeiros não deixavam eles criarem boi, vaca , bode, e nenhum tipo de animal.
Entre 70 e 71, os Xocós passaram muita fome. Comiam cuscuz, e coalhada, e comiam sem açúcar e farinha, porque não tinham. Pescavam aratanha (Camarão pequeno, de água doce, que vive em cardumes) para comer e vender. Contudo a lagoa secou e acabaram os camarões.
Em contrapondo a alimentação dos Xocós sem os fazendeiros era muito sadia. A comunidade sobrevivia com frutas, feijão, arroz, milho, a pesca e a caça eram complemento das refeições. Comiam com suas maneiras, esquentavam na brasa, tiravam do fogo e comiam. Esse tipo de alimentação foi substituída com o tempo, porém ainda hoje existe a maneira própria como is índios fazem suas comidas. As comidas costumeiras são o peixe, carne de boi. Fazem o famoso arribação e o cuscuz. Comem caju, manga, banana, melancia e goiaba.
Destacarei agora sobre a educação dos Xocós, todos participantes da cultura, das festas e dos rituais.
A Educação vem da família, desde que nasce a criança vai adaptando as coisas do seu povo. Ter que respeitar os mais velhos, respeitar a natureza, sabendo distinguir o bom do ruim, ensinar como trabalhar na terra, na água (pesca), na caça, com o artesanato e ter que ir para a escola para aprender como é o mundo la fora. A escola tem a finalidade de incentivar a própria cultura Xocó, para que ela seja vivida e respeitada.
Ensinam a valorizar a terra, as plantas que tem utilidade para remédios, o Toré como ato de respeito e tradição e ter que ser consciente que o povo é um só.
A Escola na comunidade Xocó, começou a funcionar em 1980, na sacristia da Igreja. Com o aumento do numero de alunos, surgiu a necessidade de construir uma escola que atendesse todo mundo. Então em 1983, o cacique Daminhão dos Santos e o vice-cacique José Apolônio dos Santos reivindicaram junto ao Governo Estadual a construção da Escola Xocó. Foi construída no ano 2002, através do FUNDESCOLA, uma nova escola que funciona como anexo. Na comunidade funciona da pré-escola a oitava série do Ensino Fundamental.
Na categoria divisão de tarefas as mulheres da aldeia também trabalham na agricultura, algumas pescam e caçam, e também cuidam da horta. Todas lavam roupas de casa no Rio São Francisco que passa dentro da aldeia e para os afazeres de casa a comunidade tem água encanada.
As mulheres se preocupam com a casa para que esteja sempre limpa e para que ela e seus filhos tenham conforto onde dormem e comem. Também se preocupam com as crianças na escola, para que aprendam a ler e escrever.
Os homens trabalham também na agricultura, cuidam da pecuária, praticam a pesca e se preocupam com os problemas existentes na aldeia (Pois a comunidade não conta com policiamento nem delegacia), Ainda há uma preocupação com o sustento dos filhos e com a aprendizagem dos mesmos.
O povo Xocó sabe fazer muita coisa. Com a obra prima a palha, o barro, e a madeira. São feitos vários instrumentos, como o arco e flecha, borduna e, o maracá (instrumento musical) que é produzido com o cambuco. As roupas para o dia de comemoração são feitas de palha do coqueiro, produzidas pelas próprias pessoas da aldeia. O barro serve para produzir a cerâmica, como panela, bule, fogareiro, cuscuzeiro, xícara, caneca, caçarola, potes, conjuntos de potes, conjuntos de caçarolas e etc. Com o coco ou as pontas do boi há a fabricação dos anéis, as pulseiras e os colares. A sua importância é o trazer o artesanato para o dia dos índios, que servirá de renda.
Espero que tenham obtido alguma informação sobre a cultura Xocó e a sua importância nos dias de hoje. A “influencia” do fazendeiro para a alimentação indígena. E os modos de ser, e fazer dos índios Xocó.
Suor e Luta. Retomada do patrimônio Xocó.

Os Xocós não tiveram outra saída a não ser retomar o único pedaço de terra que é a Ilha de São Pedro, antiga missão de Porto da Folha. Começaram a pedir auxilio da igreja, do Conselho Indigenista missionário (CIMI), sindicatos e muitos outros órgãos, e amigos, na certeza que tinham direito de readquirir a sua terra, pois tinham a garantia de serem os verdadeiros donos daquela terra.
Foi ai que tudo começou. Resolveram fazer a retomada da Ilha de São Pedro em setembro de 1978, cercando-a completamente. Após o cercamento da ilha, continuaram morando na Caiçara, ficaram quase um ano sendo intimidados pelo Juiz de Direito de Porto da Folha, pelo delegado de Policia e pela Policia Federal.
Os Xocós ficavam indo dar depoimentos em todos esses locais e nada se resolvia. Em várias reuniões da comunidade, chegavam à conclusão de que nenhuma solução seria tomada a favor deles, e uma decisão teria que ser tomada, ou seja, entrar na terra que havia sido cercada por eles. Procuraram as autoridades e muitos órgãos que deram força, coragem e apoio e um ano depois, em nove de setembro de 1979 decidiram se mudar para a ilha.
Após essa entrada na ilha. A violência cometida pelos fazendeiros foi ponto principal da luta, chegando a colocar jagunços (pistoleiros pagos) contra os índios. Com intuito de perseguir, massacrar e fazer o recuo dos índios Xocós.
Quando chegaram à ilha, só encontraram a Igreja do Padroeiro São Pedro, o cemitério e as ruínas de um antigo convento, que, há muitos anos atrás, fora moradia de vários capuchinhos que fixaram suas residências na aldeia: frei João Berard, Frei Davi, e frei Doroteu de Loreto. Encontraram também o alicerce da casa que hospedou o Imperador D. Pedro II em visita às margens do Rio São Francisco, onde permaneceu durante três dias.
Na ilha ninguém tinha casa, vivia todo mundo debaixo dos pés de pau. Ninguém dormia direito com medo de ser morto pelos fazendeiros.
A questão começou a ganhar espaço nos órgãos de comunicação do Estado de Sergipe, e até nacionalmente, chegando a sensibilizar o Governo do Estado. Os Xocós continuaram na luta que pela documentação da ilha, e isso só veio acontecer dia 27 de junho de 1984, quando o Governador do Estado de Sergipe com a presença do Presidente da FUNAI e lideranças indígenas dos Xocós passaram a documentação do Estado para União e para a FUNAI.
Com isso terminava uma parte da luta que durou um período de seis anos. Após isso, os Xocós começaram a estudar a possibilidade de recuperar o restante da terra, a légua chamada de Terra Caiçara.
(Imagem da Terra Caiçara)Em 1985, a FUNAI (órgão indigenista oficial) forma uma comissão de engenheiros, técnicos, advogados, antropólogos, acompanhados por um técnico do INCRA de Sergipe para fazer o levantamento fundiário e, posteriormente, a demarcação da Terra Caiçara. Mas isso não foi possível devido à resistência dos fazendeiros que se diziam donos da terra dos Xocós.
Cansados de esperar e sentindo que o problema não seria resolvido, mas uma vez a comunidade indígena foi obrigada a fazer mais uma retomada para garantir que o direito sobre a terra Caiçara. Isso aconteceu em 31 de agosto de 1897.
Depois de tudo combinado, eles saíram atravessando o canal para abrirem as valetas, enquanto outras pessoas foram comunicar à FUNAI. Depois das valetas feitas, chegou o momento de irem para a casa do fazendeiro. Chegando lá, encontraram o empregado e mandaram-no ir embora. Foi quando o empregado avisou ao fazendeiro e o mesmo comunicou a Policia do Estado.
Dois dias depois veio o administrador da FUNAI, avisando que a comunidade ficasse despreocupada, pois não aconteceria nada, e que já havia tomado algumas providencias, porém, no decorrer de 20 minutos chegou a policia batendo, chutando e mandando todo mundo deitar no chão. A comunidade começou a rezar e avisar a policia que em nenhuma hipótese iriam sair dali. Quando o fazendeiro viu que ninguém iria sair, mandou a policia atirar. Porem o pedido não foi atendido.
E mais uma vez os Xocós foram vitimas de uma violência praticada por fazendeiros “invasores”. No dia 1 de setembro, com a cobertura do juiz de Direito da Comarca de Porto da Folha, eles foram barbaramente massacrados, pisados e chutados, expulsos da terra.
Após a expulsão recorreram a FUNAI, para que as providencias fossem tomadas, e mais uma vez o ocorrido foi parar na Justiça Federal, sendo encaminhado pelo Procurador da Justiça, o Exm. Dr. Evaldo Campos, para o Estado de Sergipe. Que deu entrada no dia 19 de janeiro de 1988. No dia 24 de dezembro de 1991 depois de muita luta, saiu a homologação da Terra Caiçara. Comemorado com grande entusiasmo pelo povo Xocó.
Sofrimento e Luta! Origem do povo Xocó.
No século passado a nação indígena Xocó, situada na ilha de São Pedro e Caiçara de Sergipe, era uma nação numerosa, com aproximadamente 300 famílias, que viviam em paz e tranqüilidade, trabalhando e desfrutando das riquezas de suas terras, retirando o barro para cerâmica, pescando, plantando milho, arroz, algodão, etc. Praticando seus costumes tradicionais como: a dança do Toré e o Samba de Coco.Esta paz só teve duração até o encontro com um “intruso”, que se chamava João Porfírio de Brito. Também conhecido como Coronel, pela grande fortuna que possuía. João Porfírio, influenciado pelo poder, não só na aldeia Xocó, mas em todo baixo São Francisco, invadiu a terra com violência auxiliado por jagunços, expulsando o povo à custa de chicote e cacete, amarrando, matando os índios afogados, lançando os antepassados Xocós como se fossem animais selvagens e arrastando-os, montados a cavalos, por cima de pedras , tocos e até formigueiros. Fazendo com que o povo abandonasse a terra que lhe pertencia.
Os Xocós foram transportados para o estado de Alagoas, que graça aos Kariri (que vivem até os dias atuais na cidade de Porto Real) que os apoiaram, ate o ponto que ficou conhecido como Kariri Xocó, devido a uma aliança existente entre eles.
Porém alguns remanescentes permaneceram em suas terras, aproximadamente 5 ou 6 famílias, que se sujeitaram a trabalhar na terra como escravos, sendo obrigados a nunca pronunciar a palavra “índio” e a não falar para ninguém a qual nação indígena perteciam.Assim Permaneceram nessa situação sob o domínio do Coronel Porfírio, sem direito a reclamar de nada, a base de torturas. Permanecendo por cerca de 100 anos sem usar seus costumes tradicionais.
Durante esse longo período de tempo, o pequeno grupo de famílias que restou na terra foi crescendo, e em 1970 formavam um grupo de 25 famílias, que começavam a pesquisar sobre a História dos Xocós, em parceria com alguns frades da paróquia, antropólogos, sociólogos, conhecedores profundos da causa indígena. Nessa pesquisa a documentação provou a existência da origem dos índios Xocó, mostrando que houve uma légua de terra pertencente a eles, que é a Terra Caiçara. Sabendo disso, Os netos do “Coronel”, tentaram fazer o mesmo que fizeram com os antepassados Xocós.
Então eles começaram a se organizar, na tentativa de impedir as ações dos netos de Porfírio. Porém, mesmo com a organização, houve violência contra essa gente, obrigando a trabalhar forçadamente em suas roças. Proibindo-os de plantar milho, arroz, feijão, algodão, como também tocar seus instrumentos (violão e cavaquinhos, proibindo-os também de irem à igreja. Chegando até de proibir os índios de se abrigarem em suas casas.
A cada dia a situação ficava pior, os fazendeiros não deixavam eles trabalharem em suas terras, e também proibindo de arrumar trabalho em outro lugar. Passaram fome, tiveram doenças e ficaram assim por longos nove meses. Um grande estrago a uma cultura que foi erguida com tanto sacrifício.
Começando.
Olá, Bem vindos ao meu Blog.
Através desse Blog, em nossos encontros (postagens), irei tentar exibir assuntos relacionado aos primeiros habitantes de Sergipe. Mais especificamente, irei abordar os índios no século XIX em Sergipe e os Xocós hoje. Apresentarei para vocês uma nova forma de ver o índio em varias categorias, inclusive em um aspecto muito importante: a cultura. Além de conhecer a contemporaneidade dos Xocós, as características que os descrevem, seus modos de ser, fazer e crer.
